quarta-feira, 1 de julho de 2009

FORA SARNEY !!!

A música pede licença pra hora da faxina, entre lá e dê o seu FORA SARNEY também. No maranhão é assim:

- Para nascer, Maternidade Marly Sarney;

- Para morar, escolha uma das vilas: Sarney, Sarney Filho, Kiola Sarney ou Roseana Sarney;

- Para estudar, há as seguintes opções de escolas: Sarney Neto, Roseana Sarney, Fernando Sarney, Marly Sarney e José Sarney;

- Para pesquisar, apanhe um táxi no Posto de Saúde Marly Sarney e vá até a Biblioteca José Sarney, que fica na maior niversidade particular do Estado do Maranhão, que o povo jura que pertence a um tal de José Sarney;

- Para inteirar-se das notícias, leia o jornal O Estado do Maranhão, ou ligue a TV na TV Mirante, ou, se preferir ouvir rádio, sintonize as Rádios Mirante AM e FM, todas do tal José Sarney. Se estiver no interior do Estado ligue para uma das 35 emissoras de rádio ou 13 repetidoras da TV Mirante, todas do mesmo proprietário, do tal José Sarney;

- Para saber sobre as contas públicas, vá ao Tribunal de Contas Roseana Murad Sarney (recém batizado com esse nome, coisa proibida pela Constituição, lei que no Estado do Maranhão não tem nenhum valor);

- Para entrar ou sair da cidade, atravesse a Ponte José Sarney, pegue a Avenida José Sarney, vá até a Rodoviária Kiola Sarney. Lá, se quiser, pegue um ônibus caindo aos pedaços, ande algumas horas pelas ‘maravilhosas’ rodovias maranhenses e aporte no município José Sarney.

Não gostou de nada disso? Quer reclamar? Vá, então, ao Fórum José Sarney, procure a Sala de Imprensa Marly Sarney, informe-se e dirija-se à Sala de Defensoria Pública Kiola Sarney.

Seria cômico se não fosse tão triste. E mais: o Maranhão é o estado com o maior índice de mortalidade infantil.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Não me venha com lágrimas hipócritas


Não podia deixar de falar do cara, custei, mas achei algo com o qual me identifiquei para o momento, segue um texto do Regis Tadeu:

"É claro que o mundo inteiro está chocado com a morte de Michael Jackson. Mas é preciso ter um pouco de coragem para escrever o óbvio: todos choram pelo "antigo" popstar, que gravou discos excepcionais, e não pela patética figura em que ele se transformou. Vamos lá, faça uma autocrítica e não esconda sequer uma ponta de morbidez: quantas vezes você não se pegou ridicularizando a figura do cara, suas esquisitices, seu gosto pelo bizarro, seu "nariz de massinha", sua brancura artificial e o diabo a quatro?

A maioria dos admiradores - e não os fãs patéticos, que agora estão se desmanchando em choros convulsivos, que não foram trabalhar porque estão deprimidos com a morte de seu ídolo - sabe que a importância de Jackson para o show business não pode sequer ser colocada em um patamar conhecido deste planeta. A maneira como ele revolucionou a indústria dos videoclipes, por exemplo, permitindo que diretores levassem suas ousadias a extremos em termos de efeitos especiais que só foram utilizados pelo cinema alguns anos depois é mais do que digna de aplausos. Isso sem contar a qualidade que ele apresentou em alguns de seus discos, como Off the Wall, o melhor de todos - não, Thriller foi o seu trabalho mais famoso, mas não o melhor em termos musicais.

Mas para quem lida com música de uma maneira séria e racional, a pergunta neste exato momento é: por que ele não foi talentoso o suficiente para apagar o fracasso de seus últimos discos, principalmente do horrível e pretensioso Invencible? Por que ele não fez como todo mundo que se presta a construir uma carreira musical sólida em termos de qualidade até os dias de hoje, como fazem Paul McCartney, David Bowie e Bruce Springsteen?

A resposta é muito simples: porque faltou a Jackson aquela centelha da genialidade musical que o acompanhou desde os tempos de Jackson 5 até o lançamento de Thriller, a mesma centelha que foi capengando e diminuindo gradativamente até o punhado de canções razoáveis que ele reuniu no irregular Dangerous. A partir de um determinado momento de sua conturbada vida, a música perdeu a importância. Jackson acreditou que seria eternamente adorado independente do que fizesse. E isso é uma sentença de morte - artística e até mesmo pessoal - para quem viveu a música com tamanha intensidade.

Michael Jackson está morto. Fisicamente. Porque, em termos artísticos, nos últimos quinze anos ele foi apenas um zumbi do qual todo mundo ria e tirava sarro. E são essas pessoas que hoje se mostram comovidas com o seu falecimento.

Mundo estranho este, não?"

Esse vídeo mostra o Michael do qual sou fã, pena não ter convivido com ele:


quarta-feira, 17 de junho de 2009

Orquestra Brasileira de Música Jamaicana - OBMJ

"Orquestra Brasileira de Musica Jamaicana" foi idealizada pelo músico e produtor Sérgio Soffiatti e o trompetista Felippe Pipeta, em 2005 e só colocada em prática em 2008. A idéia inicial era tocar música jamaicana de raiz, ska, rocksteady e early reggae, mas logo veio a idéia de tocar clássicos da música brasileira nesses estilos. Saiu agora o primeiro EP da OBMJ. Ficou deveras divertido com as faixas: Guarani, Tico Tico No Fubá, Carinhoso, Águas De Março, Ska Around The Nation (composição própria), O Barquinho e Águas de Março DUB.

João Donato e seu trio - muito à vontade (1962)

Sobre “Muito à vontade”, o jornalista Ruy Castro escreveu, por ocasião de seu relançamento em CD: “foi o seu primeiro disco ao piano e o primeiro mesmo para valer, com nove de suas composições entre as 12 faixas (...). Donato, que estava morando nos Estados Unidos durante a explosão da Bossa Nova, era uma lenda entre os músicos mais novos - para alguns, pelas histórias que ouviam, ele devia ser algo assim como o curupira ou a cobra d'água. Este disco abriu-lhes novos horizontes e devolveu Donato a um movimento que ele, sem saber, ajudara a construir”.

Junho no Studio SP


Café Brasil (2001)

Este disco "Café Brasil" é uma façanha. A começar pelo time de músicos espetaculares que juntou. Foi lançado antes no exterior, onde já vendeu quase 100 mil cópias. Consegue agradar desde quem nunca comprou um disco de choro até a seus cultores. São vários os clássicos como "Noites Cariocas", "Brasileirinho" e "1 x 0". Apesar de serem músicas interpretadas em qualquer roda de choro, cada uma ganha um charme especial que resgata sua originalidade. "Noites Cariocas" vem com um instrumento raro no choro, o acordeon de Sivuca. "1 x 0" refaz o dueto de Benedito Lacerda e Pixinguinha com dois dos nossos maiores instrumentistas de sopros, Altamiro Carrilho e Carlos Malta. "Brasileirinho" vira um duo de bandolim e cavaquinho com os virtuoses Joel Nascimento e Henrique Cazes. O fato de ter várias músicas cantadas torna o disco ainda mais atraente para um público não acostumado a ouvir música instrumental. É um disco de estrelas, como Paulinho da Viola (sempre fantástico), Martinho da Vila e Marisa Monte. A produção é do Rildo Hora.

O disco foi feito especialmente para uma gravadora alemã, que o lançou na Europa e EUA antes do Brasil. Quando começou a ser vendido aqui, já era um sucesso de vendas mundial. Acredito que será o principal responsável pela divulgação do Choro no exterior, depois de penetrações de pequeno alcance, como as coletâneas do Jacob do Bandolim lançadas nos EUA e o grammy latino para o Paulo Moura, e até algumas que não agradaram o paladar estrangeiro, como o disco "Bach in Brazil". O triste é ninguém do Brasil ter investido antes no potencial do choro como música de exportação. Deve ser mais fácil exportar bundas.

Antonônio Adolfo e a Brazuca (1970)

Recebi um email de uma amiga com o título "não se canta hoje como outrora". Havia uma música em anexo, fui ouvir, claro. Tratava-se da canção "Tributo a Victor Manga" cantada por Antonio Adolfo e a Brazuca, putaqueopariu, sem saber quem era Vitor Manga nem Antonio Adolfo fiquei emocionado e concordei com o título do email.

Percebi de cara que eram versos para um amigo que havia partido, mas, a autenticidade da emoção com que a música segue seu tempo é realmente coisa rara em dias de mesmismos. Os gritos são de um amigo inconformado, a letra de poeta e os arranjos de músico competente. De quebra baixei o LP inteiro e adorei o som, recheado de músicas que estavam muito a frente do ano de 1970, ano de lançamento do LP.

A canção "Tributo a Victor Manga" foi composta na madrugada que se seguiu ao acidente que vitimou Victor Manga, baterista do "A Brazuca", em 13 de agosto de 1970, e se constitui numa apologia a amizade, a saudade, ao terrível sentimento de perda de um amigo. Entre versos declamados e gritos lancinantes, os componentes do grupo expressam toda sua dor pela perda inesperada do amigo, num verdadeiro réquiem dos tempos modernos.

"Loki" tem pré-estreia nesta quinta-feira

A Folha e o Cine Bombril promovem nesta quinta-feira (18), às 20h, a pré-estreia do documentário "Loki", sobre a vida do ex-Mutantes, Arnaldo Baptista.

Após a sessão, haverá debate com o músico e o diretor do filme, Paulo Henrique Fontenelle. As senhas podem ser retiradas na bilheteria (Conjunto Nacional, av. Paulista, 2.073, tel. 0/xx/11/3285-3696), às 19h.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Lula Queiroga - Tem juízo mas não usa (2009)


Lula Queiroga despontou no mercado fonográfico em 1983 com Baque Solto, um álbum dividido com seu conterrâneo Lenine, alma gêmea artística do compositor pernambucano. Nada aconteceu de imediato.

Mas, a partir de 1997, Lenine engatou carreira solo que lhe deu projeção, inclusive além das fronteiras brasileiras. Queiroga continuou à margem, na terra natal, embora seu terceiro CD solo, Tem Juízo mas Não Usa, confirme o que os anteriores Aboiando a Vaca Mecânica (2001) e Azul Invisível Vermelho Cruel (2004) já haviam sinalizado: o som do artista atingiu ponto de maturação que nada deve à obra de Lenine. Como seu irmão artístico, Queiroga se conecta ao mundo a partir de Pernambuco.

Programações eletrônicas (pilotadas por Yuri Queiroga, sobrinho de Lula) interagem com sons orgânicos em vigoroso mix de sabor contemporâneo. Tem Juízo mas Não Usa capta inquietudes, urgências. São múltiplas as referências que saltam aos ouvidos neste CD de alta voltagem. A faixa-título - Tem Juízo mas Não Usa, parceria de Queiroga com Pedro Luís, cantada por Lenine - dialoga com o samba carioca. Geusa agrega a poesia derramada de Lirinha (do Cordel do Fogo Encantado), a voz de Silvério Pessoa (egresso do Cascabulho) e a bateria de Pupillo (habitante da Nação Zumbi). Fulana é balada de múltiplos sotaques formatada sob os cânones da globalização. Contudo, a música de Queiroga não tem sua força diluída por conceitos. Temas como Você Não Disse, Meus Pés (com a voz de Alceu Valença, menos elétrica do que de costume) e, sobretudo, Altos e Baixos (outra faixa da qual participa Lenine) têm potencial para fazer sucesso. Já passa da hora de o Brasil fazer uso do juízo e descobrir o belo som globalizante de Lula Queiroga.
(Mauro Ferreira)

(baixar tem juizo mas não usa - lula queiroga)

Lula queiroga lança seu novo disco em São Paulo quinta-feira agora, no Sesc Pompéia. Só perde essa quem quer. Ingressos a 16 reais (inteira), 8 reais (meia) e 4 reais (usuários do Sesc). Mais informações, clique aqui.