Liderado por Astor Silva, Os Ipanemas foi uma banda que misturava bossa nova com música africana e samba. Esse foi o único LP que o quinteto gravou em 1964. No mesmo ano saiu um EP com apenas 4 faixas. Se liga na formação do quinteto: Astor silva no trombone, Marinho no baixo, Wilson das Neves na batera, Rubens Bassini na percussão e Neco nas guitarras. Tá esperando o que pra baixar essa som?
quinta-feira, 5 de março de 2009
Lua de Morais - Lua (2008)

Lua Morais é de Brasília, mora em Santiago, mas foi em Florianópolis que começou de forma totalmente despretensiosa sua carreira como cantora, se apresentando em bares e casas noturnas da cidade, muitas vezes acompanhada apenas de seu violão. Em 2005, sob o suporte de sua empresária Biba Berjeaut (ôLôko Records) que Lua seguiu para Salvador onde foi concebido seu homônimo disco de estréia.
Com ênfase nos grandiosos arranjos vocais - quase todos executados pela própria Lua - e na percussão marcante e expressiva, o disco segue uma linhagem diferenciada dentro do que hoje em dia é chamado de MPB. Pensando numa concepção autêntica para um trabalho de intérprete, o renomado produtor Alê Siqueira (Marisa Monte, Tom Zé, Tribalistas, Elza Soares entre outros) procurou convidar instrumentistas que tinham envolvimento direto com os compositores das músicas selecionadas para o repertório do disco, criando assim uma unidade que extrapolava a simples coerência entre sonoridade das canções. O resultado é surpreendente e cativante, como a própria Lua; uma mistura de sotaques, de Porto Alegre ao Acre.O trabalho é totalmente independente, tanto em conceito e desenvolvimento quanto na finalização e distribuição. Isso faz do disco uma obra ímpar no Brasil. Mais um bom motivo para ouvir o álbum de estréia da cantora Lua.
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
Jorge Mautner - Revirão

Filho de judeus refugiados no Brasil, Jorge Mautner nasceu no Rio de Janeiro em 1941. Como sua mãe sofria de uma paralisia, Jorge foi criado por uma babá e com ela teve seu primeiro contato com os batuques do candomblé.
Rotulado com uma figura “maldita” da arte brasileira e apelidado de “poeta do caos”, Mautner aprendeu a tocar violão com o padrasto e teve oportunidade de conviver em meio a grandes artistas da Rádio Nacional como Nelson Gonçalves, Jorge Veiga, Elizeth Cardoso, entre outros. Aos 18 anos, teve pela primeira vez um texto seu publicado em uma revista.
Cantor, compositor, escritor, poeta, cineasta, ator e artista plástico, Mautner alterna períodos literários e musicais, buscando sempre a inovação em suas produções. Em Revirão, sua mais recente obra musical, Jorge Mautner envelhece com dignidade e sabedoria e esta obra acompanha esta evolução. Vemos Jorge com um olhar aguçado para as coisas do cotidiano. A poesia cortante continua lá, só que agora mais reflexiva. Vida longa ao poeta!!!
Akira Kurosawa - Dreams (1990)

Para Freud, os sonhos expressam a realização de desejos inconscientes. Para Jung, os sonhos não apenas revelam desejos reprimidos, mas também são uma ferramenta da psiquê para buscar equilíbrio por meio de compensação. No entanto, consideradas as diferenças, os dois autores concordam num ponto: os sonhos são a estrada através da qual o conhecimento do inconsciente se torna possível.
Seja qual for a metodologia, nada seria mais proveitoso do que a pura entrega ao espetáculo do sonho, reino de imagens poéticas e sons cuja mensagem sempre se mostra misteriosa e cativante. Assim são os sonhos apresentados em "Dreams" de Akira Kurosawa. O filme, baseado em sonhos verdadeiros do diretor japonês, é constituído de oito sonhos independentes. A coesão dos vários sonhos é a experiência de seu personagem principal, desde a infância até a fase adulta e os desafios que cada fase encerra.
Sonho 1 - Brilho do sol através da chuva
Sonho 2 - O pomar do pessêgo
Sonho 3 - A tempestade de neve
Sonho 4 - O túnel
Sonho 5 - Corvos
Sonho 6 - O monte Fuji em vermelho
Sonho 7 - O demônio chorão
Sonho 8 - A aldeia do moinho de água
Ivy

Uma banda Novayorquina composta por Adam Schlesinger, Dominique Durand e Andy Chase. Ivy foi formado em 1994, quando os multi-instrumentistas Andy Chase e Adam Schlesinger convenceram a francesa Dominique Durand, (que nunca havia cantado antes) a gravar uma cassete com quatro músicas deles. Ainda bem que ela aceitou.
Ivy adoça o ouvido com suas melodias pop, enfeitada com delicados arranjos, eles trazem um som que varia da sofisticação e elegância ao pop eletrônico, ao mesmo tempo efervescente e refinado, tudo temperado pela voz delicada e evocativa de Dominique. Um bom exemplo do que deveria ser o pop no século XXI.
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Barack, o nosso Osama

Não poderia começar o ano sem dividir com vocês esse novo momento mundial. Há muito tempo eu não dividia com tantas pessoas um sentimento comum: a esperança. Barack Obama conseguiu não só colocar o mundo diante da TV, Rádio, Internet, o que seja. Mas, ele conseguiu unir todos em torno da Esperança. A esperança de dias melhores, a esperança de justiça e coerência, a esperança de uma nação líder ao invés de nação império, queremos mais das relações institucionais e Barack Obama aparece como uma possibilidade nem tanto à Cuba, nem tanto à Bush (já vai tarde).
Negro, Barack é o terrorista dos conservadores de ultra-direita, da industria bélica, dos patológicos imperialistas americanóides, para todos eles Barack é Osama. E que seja!!!!! Que esse cara consiga fazer mais do que esperamos dele, que não acabe somente com a tortura em Guantanamo, mas que ajude a combater a fome na Africa, sua terra mãe, que consiga respeitar o mundo e as diferenças entre povos e, principalmente, que sustente todos valores avivados em sua campanha e na sua posse. Acho que pela primeira vez o mundo está torcendo pelos Estados Unidos. God bless Barack, o nosso Osama.
Discografia Novos Baianos

Pra quem curte os Novos Baianos, a Cabana disponibiliza toda a discografia dos caras, incluindo músicas não lançadas oficialmente. Um tesouro da história da música brasileira. Nesses links você encontra: Compacto Novois Bainos (1969), Compacto Duplo (1970), Ferro na Boneca (1970), Acabou Chorare (1972), Compacto (1973), Ensaio (1973), Novos Baianos FC (1973), Linguagem do Alunde (1974), Vamos pro Mundo (1974), Caia na estrada e perigas ver (1976), Compacto (1976), Praga de Baiano (1977), Farol da Barra (1979), Trio Elétrico (1979), Musica do documentário Novos Baianos e umas pasta de músicas fora da discografia.
Degusta!!!!!
Albuns de 1969 a 1971
Albuns de 1971 e 1972
Albuns de 1973
Albuns de 1974 a 1976
Albuns de 1976 a 1979
Albuns de 1979 e extras
O Poeta do Tempo: José Agrippino de Paula

Ele não figura entre as estrelas da Tropicália nem é lembrado com freqüência quando o assunto é esse movimento que virou do avesso o cenário cultural brasileiro do fim dos anos de 1960. Mas José Agrippino de Paula estava lá. A bem dizer foi um dos primeiros a chegar. E, infelizmente, um dos primeiros a sair. O escritor viveu o que se poderia chamar de auge até a década seguinte e, então, a vida desviou o caminho, roubando-lhe, com um diagnóstico de esquizofrenia, a lucidez e o contato com o mundo real. Autor de PanAmérica (1967), o livro que iluminou a cabeça de Caetano Veloso pouco antes do Tropicalismo, Agrippino passou grande parte da vida isolado em uma casa no Embu, sem rádio, televisão, telefone, nada que o conectasse a alguém ou ao que quer que fosse. Justo ele, que foi uma antena.
O jornalista e editor Sérgio Pinto de Almeida, por ocasião do lançamento da terceira edição de PanAmérica, em 2001, pela Editora Papagaio, foi um dos poucos que tiveram contato com o escritor pouco antes de sua morte, em 14 de julho de 2007. “Era triste e melancólico vê-lo naquele estado, as condições eram muito precárias”, lembra o editor, hoje responsável pelos manuscritos do autor, ?reunidos em mais de 150 cadernos. “Mas o Zé era sereno.” O restante do acervo (filmes, textos e fotos) está com a videoartista Lucila Meirelles, que dirigiu Sinfonia PanAmérica (1988), documentário sobre a obra de Agrippino.
Multimídia
Nascido em 13 de julho de 1937, no bairro da Lapa, em São Paulo, Agrippino era filho de um advogado, Oscavo de Paula, e da professora de história Claudemira Vasconcelos. Aos 20 anos, o futuro autor, na época estudante de arquitetura da Universidade de São Paulo (USP), perdeu o pai. Foi quando resolveu trocar São Paulo pelo Rio de Janeiro, onde passou a estudar na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Corria o ano de 1964, início da ditadura militar e também da obra agrippiniana.
Num quarto-e-sala do Leme, ele criou Lugar Público (1964), seu primeiro livro. Três anos depois, surgiria PanAmérica, título que o tornou um dos gurus de uma produção “de ponta” no cenário cultural brasileiro. Embora o livro seja sua produção mais conhecida, Agrippino foi um homem multimídia. Filmou, escreveu, dirigiu shows musicais e fez teatro. Dirigiu o longa Hitler Terceiro Mundo (1968), com Jô Soares no elenco e feito em plena ditadura, na total clandestinidade – embora só tenha sido exibido em 1984 no Centro Cultural São Paulo, dentro de uma mostra de cinema alternativo. “E ele foi tão esperto que quando a polícia chegou foi totalmente dobrada.Você acredita que Agrippino convenceu os guardas a representarem a si mesmos no filme?”, diz Sérgio.
No ano seguinte, foi a vez da peça Rito do Amor Selvagem, escrita em parceria com a mulher, Maria Esther Stocker, apresentada no Teatro São Pedro, em São Paulo, com o Grupo Sondas. O espetáculo era impactante e ousado, àquela altura marcas da obra de Agrippino. Os espectadores eram recebidos no foyer, onde havia dezenas de caixas de papelão rolando pelas escadas até que, de repente, um enfermeiro cruzava o saguão arrastando um cadáver. As ações durante o espetáculo eram imprevisíveis e a única coisa certa era que em dado momento uma gigante bola de plástico cairia sobre a platéia para que, em seguida, o ator Stênio Garcia subisse no objeto e começasse uma pequena demonstração de equilibrismo. Ainda com Maria Esther, Agrippino dirigiu o show Planeta dos Mutantes (1969), que consagrou o grupo Os Mutantes, de Rita Lee, na cena roqueira da época.
Todas essas obras são consideradas pedras fundamentais na vanguarda dos anos de 1960 e 1970.
Esquizofrenia
No início dos anos de 1980, no entanto, tiveram início os problemas de saúde que retirariam o autor de cena.
Depois de constantes surtos – o escritor Ronaldo Brassane escreveu em seu blog que Agrippino era visto praticando ioga nu em Ipanema – e internações, o escritor foi diagnosticado com esquizofrenia, em 1981, época em que a Justiça o interditou e sua tutela foi entregue ao irmão, Guilherme. “Nos anos de 1980, eu passei a ver o Zé Agrippino pelas ruas de São Paulo, vagando”, declara a psicanalista Miriam Schnaiderman, filha de Boris Schnaiderman, que levou os manuscritos de Lugar Público à editora Civilização Brasileira para que fossem publicados. Em 2006, ela e o também psicanalista, músico e poeta David Calderoni foram procurar Agrippino em Embu. “Perguntamos como ele gostaria de falar dele, de contar sua história em um filme”, diz Miriam.
Agrippino pediu a câmera super 8 que tinha sido usada para filmar Hitler Terceiro Mundo e outro filme seu, Céu sobre Água (1978). A máquina só foi encontrada três meses depois, foi entregue a ele, mas o filme nunca saiu.
“Hoje, acho que no pedido de que a gente conseguisse a câmera, mais do que o desejo de filmar, tinha um pedido de que o tempo voltasse, de que a Maria Esther pudesse voltar para a vida dele”, opina a psicanalista.
“Eles se separaram no final dos anos de 1970, uma separação difícil.” Miriam e David não conseguiram o filme, mas registraram todo o processo de busca da câmera e a entrega dela a Agrippino – o vídeo, chamado Passeio ao Recanto Silvestre, pode ser visto no site de vídeos YouTube (clique aqui).No registro, é possível ter idéia do que era a vida de Agrippino em seus últimos anos. Numa casa suja, com móveis velhos e empoeirados, ele, sempre envolto em panos, construiu um mundo, onde escrevia e cozinhava.
Um dos momentos mais comoventes da fita é quando se pergunta a Agrippino o que ele gostaria de ganhar. A resposta foi: “Cadeiras para a equipe de filmagem sentar”.
Em todas as entrevistas concedidas nos anos que antecedem sua morte, o que mais marca a fala do autor é a confusão com o tempo. Ele congelara nos anos de 1970. Numa entrevista dada à revista Trip, em 2002, chega a dizer, como se estivesse falando de hoje, que quem gostava muito de Caetano Veloso e saía com a turma dele era a mulher, Maria Esther. “Eu prefiro ir lá pros lados da Augusta encontrar o Jô e conversar sobre cinema”, diz.
“Ou então [encontrar] a Rita [Lee] e o Arnaldo [Baptista].” Na reedição de PanAmérica, em 2001, o escritor não foi à festa de relançamento do livro, realizada num sofisticado restaurante de São Paulo. Agrippino preferiu ir às duas festas feitas em uma pequena livraria do Embu. Nelas, o escritor reencontrou amigos das antigas como o artista plástico Aguilar, o pintor Antonio Peticov e Lucila Meirelles. E fez duas exigências: que tocassem Ray Coniff e fosse servido cuba libre. Ah, os anos de 1970...
Pedra Fundamental da Tropicália
Entre os acontecimentos que precederam o que veio a se chamar Tropicália, o músico e professor da Universidade de São Paulo (USP) José Miguel Wisnik lista, no texto Acordes Dissonantes pelos Cinco Mil Alto-Falantes, publicado no livro Caetano Veloso (Publifolha, 2005), o filme Terra em Transe, de Glauber Rocha; a montagem de O Rei da Vela, de Oswald de Andrade, pelo Oficina; o lançamento das músicas Alegria, Alegria, de Caetano Veloso, e Domingo no Parque, de Gilberto Gil, no III Festival da MPB; a instalação Tropicália, de Hélio Oiticica, parte da mostra Nova Objetividade Brasileira, em cartaz no Rio; a canção Tropicália, de Caetano; e o romance PanAmérica, de José Agripino de Paula – todos esses eventos datados de 1967. O livro, no entanto, exerceu um especial fascínio sobre Caetano Veloso. Uma inspiração cuja força é expressa no prefácio escrito pelo músico para a terceira edição de PanAmérica. “Antes do lançamento de qualquer uma das canções tropicalistas, tomei contato com PanAmérica”, escreve Caetano. “O livro representava um gesto de tal radicalidade – e indo por direções que me interessavam abordar no âmbito do meu próprio trabalho –, que, como já relatei no livro de memórias Verdade Tropical (1997), quase inibiu por completo meus movimentos (...) Soa (já soava em 1967) como se fosse a Ilíada na voz de Max Cavalera.”Em PanAmérica não há parágrafos, nem travessão. Nenhuma introdução sobre os personagens, nada.
Apenas um narrador ao lado de ícones pop, nas mais loucas situações. Só para citar algumas passagens, esse mesmo narrador faz sexo com Marilyn Monroe, transforma Gary Cooper em um cowboy na Bolívia, participa da guerrilha com Che Guevara e coloca anjos contra o Papa Paulo IV. Todos esses ícones são relidos e incorporados ao dia-a-dia, à rotina, exatamente como fez o Tropicalismo, pouco depois, com a antropofagia de Oswald de Andrade e as guitarras elétricas do rock’n’roll “gringo”. É o caso de Bat Macumba (1970), música de Caetano e Gilberto Gil e cantada pelos Mutantes. A composição brinca com o nome do homem-morcego, um herói americano, ao atrelá-lo a algo brasileiríssimo e popular: “Bat Macumba ê ê, Bat Macumba obá”.
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
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